domingo, 3 de janeiro de 2010

mais um ano...



È uma coisa que eu não consigo mais entender ou nunca entendi, finalmente qual o significado do ser humano, qual o conceito que nós homens, nos damos? E qual o lugar que o ser humano deve se colocar diante dos demais animais? Continuar agindo mostrando sua supremacia, através de exploração, e porque a ciência não pode andar ao lado da ética? Idade moderna, tudo era feito para que prevalecesse a supremacia do indivíduo perante o estado, a racionalização do poder, garantia de liberdade através da razão, século XVIII, surge a necessidade de um governo que começa a derrubar as monarquias e instaurando um governo de caráter republicano, visando a divisão dos três poderes, onde os órgãos de elaboração , fiscalização e aplicação das leis deveriam atuar de maneira harmônica ou seja uma forma de governo que se enquadre nos conceitos desse homem moderno. Um governo que respeite a liberdade individual a “igualdade” e todos esses clichês que o homem até hoje tenta manter. E esse é um dos principais, senão o principal problema do homem de hoje, que quer viver em pleno século XXI com valores do século XVIII e pior, nunca conseguiu garantir NADA do que foi proposto e idealizado, onde os personagens são os mesmos com aparência diferentes. Porque vivemos numa falsa democracia, numa falsa república, com falsos representantes, somos falsos eleitores e pior somos falso humanos, só pode. A definição, encontrada nos dicionários e etc, NENHUMA corresponde com o conceito de humanidade que praticamos, ai vem outro e me diz “você está generalizando” então a grande maioria se autoclassifica de maneira errada. De acordo com o dicionário Aurélio, “humanidade[Do lat. humanitate.] Substantivo feminino. 1.A natureza humana. 2.O gênero humano. 3.Benevolência, clemência; compaixão. ~ V. humanidades.“
Benevolência, em todo processo de evolução do homem somos a única espécie que além de se classificar com seres racionais, nunca deixamos o vício de dizimar não apenas a nossa própria espécie, como também acabamos com outras tantas, e continuamos a destruir outras milhares. Clemência, de fato temos uma grande disposição para perdoar, inúmeras guerras por vingança e por ideais estúpidos que visam apenas o interesse particular, todos os dias milhares de mortes planejadas, e sim, o maior símbolo de clemência, perdão, piedade, bondade, criada pelo homem, a igreja foi responsável por um dos maiores massacres ocorridos na idade média, sem falar das idéias empurradas goela a baixo com objetivo de se manterem no poder, e hoje ainda é uma das instituições mais poderosas do mundo. Compaixão, principalmente com o próximo, dizem que os primeiros dez anos de um século decidem seu rumo, enquanto os representantes do povo estão preocupados em aumentar a eficiência no mercado, aumentar a produção, explorar, roubar,explorar, copa do mundo, olimpíadas e etc, passamos por mais um ano com pessoas passando, fome, a mídia fala tanto de fome,morte , miséria , seca e etc, que acaba vulgarizando o significado dessas palavras, tornando o que deveria ser uma situação de espanto em uma coisa corriqueira, mas é fome, são seres humanos, como eu e você, que estão lá, sem comida, comendo as sobras do almoço que seu filho jogou fora, disputando com outros tantos o mesmo tanto de arroz, feijão, carne e etc que você colocou no lixo, e onde está a constituição nesse momento? Cadê o artigo 5? Que demoramos tanto tempo pra fazer valer, e o princípio de igualdade lá do século XVIII? Sim... não sei se perceberam, mas o ano começou bem, ambientalmente falando, chuva que não termina mais, clima instável , barreira caindo, vulcão voltando à ativa, mais algumas centenas de espécies entrando para lista de extinção, enquanto o homem vai inaugurar o maior edifício do mundo, talvez seja para que quando tiver tudo invadido pelo mar, os últimos dois andares sejam divididos entre algumas famílias “importantes”, sem falar que ainda continuam a fazer guerra lá no oriente médio, e os homens cheios de compaixão, pensam para que se preocupar com os problemas de lá , se tem tanta coisa para resolver por aqui e a organização das nações unidas existe para garantir a país internacional, mas os seres humanos esqueceram que a ONU agora está preocupada em salvar os interesses do Eua, quer dizer... o planeta do aquecimento global. Eleições chegando? Tempos de mudança, Os mesmos discursos, que eu escuto desde que me entendo por gente, vamos acabar com a fome,2010 é o ano do nordeste, já pararam pra perceber que todo ano é o ano do nordeste? Ou do Brasil? Ou do estado que você mora?, paz, progresso, agora entrou o de vamos salvar o mundo.
A questão é simples, ainda tem gente passando FOME! como podem pensar em progresso se o estado não consegue distribuir COMIDA para sua população, fora o mínimo de saúde, educação, moradia, o básico para do desenvolvimento do próprio homem. Mas pra fazer copa do mundo arrumam dinheiro, porque vai trazer desenvolvimento, progresso, melhoria nas estruturas do estado,enquanto uma parte da população não tem garantia alguma de seus direitos,pois bem, mais uma coisa que eu não consigo entender, enfim, feliz 2010.

sábado, 28 de novembro de 2009

O homem que matei


Eu acordei muito cansado, parecia que tinha dormido pelo menos umas trinta horas, mas mesmo assim ainda estava cansado, não fisicamente, mas não agüentava nem me imaginar pensando naquele momento, foi quando decidi levantar, passar um café, ver se tinha algum recado na secretária eletrônica, lembrei que não tinha pago a conta de telefone. Então resolvi ligar o som , peguei um borrão e uma caneta e comecei a rabiscar, enquanto ouvia aquela batida trincada do afrobeat e aquela voz aveludada dos cantores de blues dos anos 50. Eu, sinceramente não conseguia entender que merda tinha acontecido na noite anterior, eu me via dentro de um cinema, mais ou menos cheio, com duas pessoas do meu lado direito que eu nunca tinha visto na vida, que vez ou outra comentavam comigo algum trecho do filme, e na fileira de trás um casal que eu também nunca tinha visto, e na metade do filme começa uma discussão, o rapaz fazia alguns comentários que não me agradavam, eu respondia com mais agressividade, enquanto a filha da puta da mulher dele continuava incentivando-o, até que a discussão passou do limite, e naquela confusão, eu via um velho amigo do meu lado, enquanto eu matava um homem. Sai da sala e começava a caminhar, e vinha na minha cabeça, que a qualquer momento meu celular tocaria, e seria algum familiar me ligando, dizendo que a polícia estava a minha procura, comecei a inventar algumas desculpas, talvez fosse melhor negar, já que naquele cinema não tinha câmera, eles não tinham como provar que tinha sido eu o autor do crime, a sala tava escura, o que mais me intrigava era que ninguém tinha parado de assistir o filme nem desviaram os olhos da tela, durante a confusão, nem depois. Comecei a ficar mais nervoso, suava, tremia e comecei a andar só, não via mais as pessoas que me seguiam, acendia um cigarro atrás do outro, resolvi parar para comer algo, mas não encontrava nada aberto, e acabei entrando em uma rua, onde só via os rostos de pessoas conhecidas que aos poucos iam sumindo, uma por uma, desaparecendo assim que eu chegava mais perto, então tentei me acalmar, olhava para as propagandas coladas nas paredes dos prédios, mas não conseguia entender uma letra, só via as imagens, mulheres peitudas em propagandas de cervejas, família feliz na frente de um prédio em construção, mas não conseguia entender uma letra do que estava escrito, então, tentei lembrar de frases que eu já tinha visto, mas elas também iam sumindo aos poucos, letra por letra, vírgula, ponto, interrogação... ainda tentei me lembrar de algumas datas, revolução francesa, independência do Brasil, segunda guerra mundial, meu aniversário... e em dez minutos eu não sabia mais falar, não sabia mais andar, não sabia mais pensar, e eu ficava ali parado, sem poder me mexer, sem poder falar, e as pessoas iam sumindo uma por uma, até aqueles dois rapazes do cinema estavam sumindo, foi quando do meu lado esquerdo apareceu àquela mulher da fileira de trás, ela ria de mim enquanto sumia, mas eu não conseguia ver o homem que matei, eu já não conseguia me lembrar da fisionomia dele, ela continuava sumindo aos poucos, se aproximou de mim, acariciou meu rosto, com aqueles olhos verdes, não era alta, nem gorda , tinha um rosto rosado, cabelo na altura dos ombros, foi quando ela estirou os braços em minha direção e antes de sumir colocou um anel na palma da minha mão, mas aquele anel era meu, eu ganhei de uma prima numa viagem que ela tinha feito, eu tentava me explicar, mas pouco adiantava, não saia uma palavra da minha boca, e antes de desaparecer de vez, falou que pertencia ao falecido marido dela, o homem que matei.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Volta e meia por aqui.

pensar

Ora, que merda. Essa semana, eu passei pelos mesmos lugares, freqüentei o mesmo café, lavanderia, padaria, tabacaria,supermercado e até aquela merda daquela clínica para tirar uma radiografia, onde tive que ir todo dia no mesmo horário e cada dia era um comentário novo “ olhe senhor, você tem que fazer exercício tal na hora tal, tomar o remédio y na hora x” e eu pensava o mesmo puta que pariu pra cada comentário. No final da última consulta ele tirou uma ficha amarela da gaveta e pediu para que eu respondesse, apenas, sim e não.

-Você nasceu aqui?

não.

-Bebe?

sim.

Fuma?

sim.

- Com Licença,doutor. posso ver essa ficha? pra agilizar.

sim.

sim.

sim.

sim.

Fumar menos, beber menos, trabalhar menos, beber mais água, descansar mais, caminhar mais, dormir mais.Tudo isso que eu já tinha ouvido nas outras vezes, o máximo que eu consegui foi entrar na natação. Dormir mais? dormir é perca de tempo, se eu durmo eu não penso, se eu não penso eu não vivo, eu preciso manter o ritmo e encontrar alguma coisa que me faça manter o ritmo. Enquanto as pessoas se preocupam demais com o que está errado, com quem está errando e se estão errando. Eu acho isso ótimo, elas se reprimem tanto, criticam tanto os outros e olha só como as coisas estão, tem gente jogando pedra de cima do viaduto e afundando a cabeça de outras lá embaixo, só pra ver o tamanho do buraco e o rosto de espanto das outras pessoas quando o sangue jorra. “aquilo” era uma vida, um ser humano. Pelo pouco que eu entendo o ser humano, não existe mais,pelo menos não o conceito e se o conceito sumiu a palavra perdeu significado, como tantas outras que são usadas só pra preencher o espaço em branco de uma folha de papel ou de uma conversa sem pé nem cabeça. Ah, agora vem os filósofos discutindo as leis de Tomás de Aquino, se o ser humano é ruim por natureza, se a lei divina existe, se a lei humana não corrompe a lei de Deus e existem homens com uma inclinação maior para o mal e que temos que ser protegidos desses homens, ai vem os historiadores dizendo que a história não se repete, os homens não são os mesmo. e eu fico a ponto de tocar fogo em tudo que li e me jogar dentro da fogueira pra ver se sumo de uma vez ou se só desse modo posso entender esse lugar que chamam de mundo e esses seres que me classificam como humano e que se chamam de homem. Amor? faz tempo que eu não vejo essa palavra escrita na primeira página de um jornal, nem aquele de vinte-e-cinco centavos, que eu fico tentando ler, enquanto o sinal está fechado, a última que eu li foi “ comeu e foi comido”. Apagão de novo, corrupção, aquecimento global, time caindo pra segunda divisão,CPI,corrupção de novo e de novo, meu café esfriando, preconceito, um monte de gente querendo chamar atenção, outros buscando a salvação e eu aqui olhando terminando de acabar com o que resta da minha coluna. Não existe constituição, existe um livro que vendem para um bando de retardado que acha que estudar direito é estudar pra passar em concurso público ou pra acender um e fazer a cabeça quando a seda acaba,não existe liberdade, quer dizer, até que existe quando você paga suas contas e não pergunta muito,só responde e de preferência,apenas, sim ou não.

terça-feira, 13 de outubro de 2009


Eu te digo qual é o problema, o problema é que você ainda é muito ligada a mim, e infelizmente, eu a você, problema é esse. E não me venha com a conversa que isso é só mais uma das mil invenções da minha cabeça entre tantas outras, e que isso foi no passado, que você mudou seus conceitos , a maneira de agir, se fosse verdade você não tinha tanta necessidade de me ter tão presente na sua vida, fazendo questão que eu saiba cada passo e querendo me mostrar como você está bem, porque eu sei que nunca vai ter a mesma intensidade onde tudo acontecia naturalmente, improviso, e no final a gente sabia até as palavras que iam sair da boca do outro. E assim eu desliguei o telefone, patético isso, quase duas da manhã e eu aqui no telefone, conversando com o passado que eu já tinha dado como esquecido à muito tempo, mas foi ai que eu errei, de novo. Talvez ela esteja certa em dizer que cansou de tanta insegurança, das minhas manias e vícios, cansou de esperar que eu tomasse jeito, cansou de acreditar. Mas eu nunca te prometi nada disso, nunca te disse que ia mudar, nunca te disse que ia ter jeito, muito pelo contrário eu sempre deixei tudo muito claro, e como te dar mais segurança? Se eu te dava o valor e o peso das minhas palavras, mas que pelo visto pouco importava, e se importava era pouco. Você me colocou em um lugar onde hoje tem muita gente, ou já foi de muita gente, e usa as mesmas palavras, as mesmas frases com todos eles, como pode? Isso é sentimento! E sentimento algum pode ser igual à outro, e se são diferentes trate de forma diferente, e nunca da mesma forma que você me tratava, o problema é esse, você se repete demais, e como eu sou egoísta e sei que não posso e nem vou ser tratado como um dia eu fui, eu sinceramente não quero. Prefiro perder de vez qualquer lugar que eu tinha em você.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Para mim


Faz tempo, muito tempo, parece que eu parei sem saber
Fiquei preso entre dois parágrafos de um livro que eu mesmo escrevi, ou pelo menos achava que tinha escrito. Dois meses ou mais,eu não sei. Eu não sei, já falei tanto isso que ás vezes perde o sentido, as pessoas mudam, ela se tocou, ela se tocou que eu sou assim, e pulou fora, como todas as outras que não conseguiram passar dos dois primeiros versos quanto mais completar uma estrofe, diziam que era instável demais, intenso demais, imbecil demais. Enquanto isso eu vou excluindo vírgula, letras, pontuação mas mesmo assim existem esses dois parágrafos, já rasguei a página, já joguei no lixeiro, mas eu me lembro cada palavra, cada verso que eu escrevi, cada passo, cada escolha, cada tempo, cada vida. Minhas escolhas sempre foram impulsivas, por mais que eu pensasse sobre o que seguir e por mais que tivesse certeza, eu sempre mudava de última hora, em todas, eu fechava os olhos e mergulhava e ria, como eu ria, principalmente quando eu acertava, ou quando eu via meu corpo se despedaçando, as pessoas mudando com a cabeça cheia de conceitos, de romance, moral, religião, mas eu só queria rir, do mundo, das pessoas, da vida. Mas talvez eu tenha perdido a essência, acho que não, posso ter mudado mas ela nunca desapareceu, posso me acabar entre dois cigarros, duas garrafas ou dois parágrafos mas a essência continua.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

O dia em que morri.



O dia em que morri, não tinha nada de especial, o céu não brilhava, também não estava escuro, os ventos não estavam fortes, mas os galhos das árvores balançavam, os carros continuavam fazendo um barulho insuportável enquanto sentado no meu sofá eu me via morrendo, eu achava que ia ser rápido, como uma dose enorme de anfetaminas que iam me fazer implodir, como uma música rápida e suja mas, mais uma vez estava errado. Eu estava errado. foi lento. Lento como um triste blues, lento como os pensamentos das pessoas que andavam com pressa nas ruas, lento como eu nunca desejei que fosse, talvez, tenha durado meses ou anos, mas a cada dia meu vazio me consumia mais e mais. Essa semana eu passei por vários lugares, encontrei por ventura, pessoas que fizeram parte do meu passado porém preferi ignorá-las do meu presente, situação cômica, imbecil, mas cômica. Essa semana eu pensei como é imbecil chegar a certos pontos, tem gente que diz que não tinha necessidade disso tudo, que é falta de espiritualidade, excesso de ignorância, excesso de egoísmo, excesso de estupidez, ora, mas eu sei o que é necessário para mim, por mais desnecessário e ridículo que seja, e excesso de e estupidez? Ignorância? Talvez seja, mas creio que eles não são as melhores pessoas para me falarem sobre tal assunto, espiritualidade, Renato russo encontrou a dele, cazuza também, o mundo anda tão “espirituoso” que é só ligar a televisão no jornal que eu vejo como as pessoas estão “espirituosas”. Foda é ter que dormir, caralho como eu queria que meu corpo acompanhasse minha cabeça, eu sei, seria pior, mas eu queria ver como era, ficar ligado no duzentos e vinte, se bem que nem minha cabeça está conseguindo me acompanhar mais, nem eu mesmo consigo me acompanhar mais, pudera me entender. E aqui eu termino, morto, engasgado com meu próprio vômito, como meus ídolos, mas eles fizeram alguma coisa, conseguiram mudar uma geração e influenciar outras tantas ou pelo menos tentaram, mas, eu não consegui mudar nem o que eu achava que estava errado em mim, quanto mais o mundo.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Sofá

- Olha ,é o seguinte, Eu cansei!
E foi dessa forma que cheguei a esse ponto. Juro que não tinha bebido, fumado nem cheirado merda alguma. E assim, ela foi embora. Bateu a porta e chamou o elevador.
Sinceramente, talvez tenha sido o momento que eu fiquei mais tempo sentado no meu sofá sem conseguir pensar em nada, enquanto a televisão passava os mesmos filmes que passam todo ano, durante as madrugadas que passei em claro por causa da insônia, durante as madrugadas que passei acordado, vazio, acompanhado de uma garrafa de gim barato, cigarros, e um interminável conflito entre meus pensamentos, desejos e lembranças.
Depois desse dia, foi difícil me adaptar à minha rotina, nunca gostei de rotina, inferno maldito, nem dessa palavra eu gosto, mas já que cheguei aqui, não tenho mais vontade de jogar o que eu construir para o alto e nem idade para isso, mas também não me arrependo, apesar da rotina, faço o que quero, nem sempre, mas sempre faço. faltava o trabalho mais que ia. Foram oito meses, dividindo minha vida, entre meu sofá, bares, cama de hotéis barato, com mulheres que eu nunca vi na vida e nem voltarei a ver. Foram oito meses, sentindo o gosto amargo da fumaça, bebida e de bocas mal amadas, que buscavam em mim, algum sentimento que as pudessem completá-las, e eu um calor que eu sabia que não ia encontrar, e acabava me contentando apenas com o prazer. Depois de oito meses, eu não digo que fiquei bem, mas acabei me acostumando, com as caras conhecidas no centro da cidade, com o café forte dos bares de beira de estrada, de acordar em um lugar estranho ao lado de uma pessoa que eu não fazia a menor idéia de quem seria, mas com o tempo cansei, e como toda rotina, acabou ficando insuportável, e aos poucos os velhos rostos que faziam parte do meu antigo cotidiano voltaram a aparecer, distorcidos, mas voltaram.